terça-feira, 26 de agosto de 2008

O Fadado Sentimendo do Ser





O Fadado Sentimento do Ser


Eis que mais uma vez, nos pegamos envoltos nos sentimentos.


Nos pegamos envolvidos em coisas surreais, em situações complexas, complicadas por nós. Mas, quando agimos, vemos que na verdade, aumentamos a intensidade deste caso, exagerando seu valor. Até onde os sentimentos nos completam?


Costumo dizer que nos completa em tudo. Seria como um “toque especial”, uma característica típica do ser humano, um algo que faz seu caráter. A personalidade é criada a partir do conhecimento que temos lidando com tais sentimentos. A sabedoria vem da experiência que temos lidando com tais sentimentos. A evolução é atingida quando passamos a entender, vivenciar e iluminar tais sentimentos. Então, entende-se que os sentimentos nos completam.


Mas sabemos que a Humanidade de hoje não gosta de sentimentos. Não gosta, por que os sentimentos não vêem protocolos, regras, leis, nem mesmo códigos. Como o ser humano é essencialmente racional (o que é ridículo ao meu ver), ele deve sempre colocar a “cabeça na frente do coração”, o que lhe causa dores na alma, dores profundas, que não são entendidas e causam um dos maiores males da humanidade, a Depressão. Esta história de ser humano essencialmente racional é pura propaganda enganosa, propaganda vendida pelos “ditadores do consumo”, seres que já se venderam para o mundo e querem ver outras pessoas caindo nos mesmos males. Conhece aquela história, “ Se eu cai, levarei muitos comigo”? Ela é bem real...


Então, eu questiono, até onde os sentimentos nos completam?


É normal o ser humano fazer uma confusão essencial; Confunde-se sentimentos com emoções.
Sentimentos são mais duradouros, mais profundos e essenciais, como o Amor, Lealdade, Dignidade. Já as emoções são mais momentâneas, mais racionais e supérfluas, como a paixão, interesse, moralidade descabida. Uma diferença essencial entre sentimentos e emoções é que os sentimentos, são duradouros ou até mesmo eternos, já as emoções são um algo do mundo, são voltados à aparência e situação, geralmente são finitos. Quando uma emoção torna-se pura, ela se eleva e chega a se transformar num sentimento. É típico das relações amorosas humanas, começar com uma mera paixão e se tornar uma sentimento puro, o Amor. Este assunto seria alvo de muitas outras reflexões.


A confusão, a falta de espiritualidade vivenciada, e até mesmo a falta de orientação adequada, faz com que o ser humano “patine” nas vivências mais importantes do seu ser. Pior ainda, é cair na racionalidade desmedida e pensar que sabe-se tudo sobre o todo. Digo que neste estado, o ser humano já deixou de “ser humano”, tornou-se maquina, escravo, zumbi. Privou-se dos sentimentos, pois tornou-se apenas racional.


Uma coisa tenho que esclarecer, tanto emoções quanto sentimentos são importantes. O racional também é importante, não há duvida, mas existe um exagero aqui. Como o yin/yang, o símbolo do equilíbrio, um cresce ao lado do outro, um completa o outro, ou seja, um não é maior que o outro e todos estão nos seus lugares. Mudar isso causa as confusões.


Digo, que os sentimentos são nosso elo de ligação com o Divino. Claro, como disse anteriormente, com sua medida. Neste pensamento então vamos filosofar, qual é a formula para esta felicidade?


A Harmonia.


Vivemos num mundo de ilusões, concordo. Um mundo onde a aparência é tudo, e o todo deve ser buscado com toda a força, as vezes numa força que o ser ainda não tem. Deve-se, então, encontrar o caminho do meio. Não podemos viver sem buscar a satisfação de nossas necessidades, acho que temos direito sim ao conforto, á abundância, á leveza do ser. Mas claro, com Equilíbrio. Também não podemos ficar sem nossa espiritualidade, nossa busca profunda, da Fé, da dignidade, do reencontro do si mesmo, mas também com Equilíbrio.


Então, voltando ao questionamento, até onde o sentimento nos completam?


Em tudo. Pois são eles que nos elevam á Casa do Pai. Pois são eles que nos permite refletirmos sobre nós mesmos. São eles que nos faz encontrar nossa dignidade quando o mundo nos afronta. Assim, somos impelidos á olhar para dentro, para nosso Coração. Vale a pena buscar.


Não apenas pense nisso.
Sinta isso.


Com Carinho Compartilho;


Anjo Guardião Branco.
P.S.: Coloquei a foto de um Ipê Amarelo, simplesmente por que estamos na época dele...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A Sabedoria do Bambu





A SABEDORIA DO BAMBU


Eis que uma vez, o jovem monge Takaurana viajava em seus pensamentos, meditava em busca das respostas, respostas estas nunca alcançadas em plenitude. Certa vez, estes questionamentos foram tantos, que o jovem monge resolveu pedir conselhos ao seu Mestre. Na sua mente, dilatava uma idéia de como conseguiria atingir a iluminação, se nem mesmo conseguia atingir a Paz Interior. Nos seus momentos consigo mesmo, quando sentava em posição de lótus e buscava a iluminação com Buda, tudo ia bem, até que pensamentos oriundos do mundo lhe tomava a mente. Não conseguindo mais restabelecer a calma, tinha que parar a meditação. Ficava profundamente frustrado, por não conseguir estabelecer um contado duradouro com os Reinos de Luz. Depois de contar ao Mestre o quê acontecia, envergonhado, ele sentou no chão, choroso. Sentia-se inútil pela sua fraqueza. O Mestre, na sua infinita Sabedoria, o contemplava com compaixão. Nutria por Takaurana um amor de pai, algo que transcendia qualquer materialidade. Deixou o jovem monge chorar, deixou ele limpar sua alma daquele peso. Depois, levantou-se de sua cadeira, caminhou até Takaurana e limpou suas lágrimas. Observou que o jovem monge já havia se acalmado e pediu para que ele o acompanhasse. Ambos andaram até o terraço do templo, onde uma tempestade se desenrolava. Uma forte rajada de vento vinha do Sul, praticamente era um tornado. O Mestre disse para Takaurana observar a mata que era atingida pelo forte vento. Lá havia uma arvore frondosa, altiva, bem enraizada no solo. Logo um pouco abaixo, havia uma plantação de bambu. A arvore, quase não sentia a passagem do vento, apenas suas folhas e galhos mais fracos balançavam ao sabor do vento. Já o bambu, mexia e remexia com os golpes que o vento impiedosamente lhe aplicava. Observando isso, Takaurana disse ao Mestre:


- Os Bambus serão destruídos, Mestre. Eles não tem capacidade de oferecer resistência ao vento, diferente da arvore que é forte e bem resistente.
- Que lição você tira disso, meu discípulo?
- Que eu devo ser como a arvore. Forte, rígido, firme no chão. E não como o bambu, que é mole e flexível.
- Observe novamente, jovem monge.


O Mestre apontou para um detalhe. Takaurana procurou observar, e pode ver que o vento tinha virado um tornado. Este sugava tudo ao seu redor. O bambu, mole e flexível, rendeu-se ao vento, chegando á tocar o chão. Já a arvore, que estava sempre firme, quando recebeu este golpe de vento, acabou por ceder depois de alguma luta e foi jogada no chão, derrotada. Quando o vento já tomava uma forma assustadora, o Mestre aconselhou ambos á entrarem. Takaurana obedeceu o Mestre, mesmo estando assustado com o ocorrido. Assim que a tempestade terminou, o Mestre convidou o jovem monge a ir até o terraço. Uma vez lá, pediu para Takaurana observar a mata. Daí o jovem monge teve um susto. A arvore não estava mais lá! E o bambu, embora deitado e um pouco retorcido, ainda estava lá. Takaurana virou para o mestre, espantado pelo ocorrido, e antes dele falar algo, o Mestre o adiantou:


- A Arvore é você, o Vento, seus pensamentos. Se você for rígido e firme, uma hora cairá derrotado. Mas, se você for o bambu e souber ser mole e flexível, conseguirá vencer os pensamentos.


E o Mestre continuou:


- Desenvolva a Sabedoria do Bambu. Não ofereça resistência. Simplesmente permita que sua Mente divague. Chegará uma hora em que ela se cansará e neste momento, é você quem será vitorioso. Nada vence a Sabedoria do bambu, que é a constância, dedicação e a flexibilidade.


Depois deste ensinamento, Takaurana agradeceu ao Mestre e voltou ao seu quarto. Lá pôs o mais perfumado incenso, acendeu a mais bela vela, e pôs-se a meditar. Deste dia em diante, conseguir meditar todas as vezes, dando atenção aos pensamentos, mas não perdendo a direção da sua meditação.


“ Se permitimos que passem por nós, sem oferecermos resistência, mas não perdendo nosso objetivo, poderemos vencer sempre, pois nossa dedicação é ouro, a constância é prata e a flexibilidade é jade. Não permita que o atinjam, mas também não ofereça resistência, apenas desvie, e se sua dedicação for maior, vencerá pelo cansaço. Esta é a Sabedoria do Bambu.”


Com Carinho Compartilho;

Anjo Guardião Branco

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Código de Ética dos Índios Norte Americanos

Aproveitando o grande movimento que tivemos com a publicação de " O Xamã ", publico aqui um e-mail que recebi de uma amiga, com o Código de Ética dos Índios Americanos. Diziam no passado que este povo era selvagem, atrasado e que nem como pessoas poderiam ser considerados. Hoje isso mudou, pois em muitas correntes de pensadores, percebemos que na verdade, eles estão mais adiantados que nós, pelo menos moralmente, devido à suas ações em relação para com seus irmãos. O objetivo dessa publicação é trazer algo prático sobre o caminho do Xamã e tbm trazer um código de Conduta prático, ético e evoluído, com conceitos bastante praticáveis se forem vivenciados com vontade, podem trazer benefícios à médio prazo para uma pequena comunidade. É uma pena que eu tenha perdido a autoria deste código, mas caso algum leitor o saiba, favor me informar. Segue o código:

CÓDIGO DE ÉTICA DOS ÍNDIOS NORTE AMERICANOS

1. Levante com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com freqüência. O Grande Espírito o escutará, se você ao menos falar.

2. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza, originam-se de uma alma perdida. Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.

3. Procure conhecer-se por si mesmo. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

4. Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.

5. Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura. Se não lhe foi dado, não é seu.

6. Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

7. Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.

8. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você colocar para fora no universo voltará multiplicada a você.

9. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.

10. Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o otimismo.

11. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família Terrenal.

12. As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida. Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.

13. Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada a outros, retornará a você.

14. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.

15. Mantenha-se equilibrado. Seu corpo Espiritual, seu corpo Mental, seu corpo Emocional, e seu corpo Físico; todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis. Trabalhe o seu corpo Físico para fortalecer o seu corpo Mental. Enriqueça o seu corpo Espiritual para curar o seu corpo Emocional.

16. Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá. Seja responsável por suas próprias ações.

17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objetos religiosos e sagrados. Isto é proibido.

18. Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.

19. Respeite outras crenças religiosas. Não force suas crenças sobre os outros.

20. Compartilhe sua boa fortuna com os outros. Participe com caridade.

CONSELHO INDÍGENA INTER-TRIBAL NORTE AMERICANO
Deste conselho participam as tribos : Cherokee Blackfoot, Cherokee Lumbee Tribe, Comanche, Mohawk, Willow Cree, Plains Cree, Tuscarora, Sicangu Lakota Sioux, Crow (Montana), Northern Cheyenne (Montana).


Luz e Paz a todos os seres que desejam a Harmonia. Amor e Honra a todos os seres que vivenciar de verdade esta ética.
Paz em todo o Universo.
Com carinho compartilho;
Anjo Guardião Branco.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Poesia - Templo de Rosas





Templo de Rosas


No momento mais digno do meu ser,
sentia o cheiro de rosas trazida pelo vento,
uma esperança que renascia, que voltava,
à casa do meu coração.


Neste templo, onde tudo aconteceu,
recebi minha oferenda,
de bravos deuses,
por méritos que conquistei.


Méritos, para o mundo, sem valor,
valorizados apenas por dignos,
aqueles que têm o conhecimento,
que não são limitados por este.


Mas, o que são méritos,
para estes amados?
São conquistas sobre a carne,
da cerne humana.


São conquistas sem morte,
sem guerras humanas inúteis,
pelo contrário, são de evitá-las,
fazer inimigos dar-se as mãos.


Sem nenhuma intenção de orgulho,
estes seres humildes, desprendidos,
são despidos da inveja humana,
são desatados com a materialidade.


Por isso nesse mundo, eles não vem,
mandam seus agentes, bem-amados,
que com reverência descem ao mundo,
em forma de anjos, de servos.


Aqueles que têm imponência,
tocados pela divina presença,
protegidos pelos anjos,
amados pelos mestres.


Eu vivia na escuridão,
não sabia da minha natureza,
nem sequer seguia,
esta tão gloriosa missão.


Agora eu voltava à este patamar,
reuni todas minhas velhas forças,
aprendi de novo à ama-las,
voltei a ser meu verdadeiro ser.


Neste cheiro de rosas,
onde mais nada importava,
reconheci meu talento,
de entidade divina.


Neste belo Templo,
onde mais nada importava,
voltei a ser eu,
meu coração alegrara.


Onde estou agora,
local iluminado por Deus,
reencontrei meu caminho,
que foi perdido neste mundo vazio.


Agora em meu pleno ser,
voltarei a seguir pela Luz,
onde minha vida se reencontrou,
com a vontade de viver.


Anjo Guardião Branco

terça-feira, 29 de julho de 2008

O XAMÃ




O XAMÃ


Num instante em meu pensamento, percebi que estava numa floresta, da minha infância, onde meus risos inocentes ainda ecoava. Olhava para o ipê, tão avivado nas minhas brincadeiras marotas, via tudo que mais desejo da vida, felicidade, paz, harmonia, busca. Uma mistura de mistério e conhecimento inundava minha mente, quando tocava suas belas flores, em seus galhos, que tanto subia na meninisse. Quando mais notei, pude olhar para a frente, e ver um senhor idoso, com aquele olhar todo especial que só mesmo um sábio têm. Tinha suas vestes, roupas simples, com peles de animais e muitas penas coloridas; seus cabelos bem longos, não escondiam a marca da idade em seu rosto, mas nenhuma ruga; era um índio, um velho índio. Fez uma mensão com a mão, num gesto de carinho, me chamou para perto dele. Como que dominado por uma magia, fiquei espantado, com o cordial chamado, pois bem sei que estes nobres senhores são bastante reclusos. Minha timidez bateu, mas buscava não ouvi-la e logo pude perceber, era meu ego que me atrapalhava. Quando cheguei perto daquela figura, pegou na minha mão, como um neto, e começou a me levar para floresta adentro. Andamos por bastante tempo na mata, a todo momento, ele via uma flor ou planta, fazia um gesto para eu sentir seu perfume ou tocá-la, sentir na natureza, a leveza da grama, a doçura da fruta, a largura das árvores, a sabedoria do cipó, o conhecimento da formiga. A felicidade me tocou, “vovô” me ensinava sua visão da natureza, sua casa, onde provavelmente ele passou toda a vida. Num certo momento, ele apontou para uma trilha na mata, que subia uma suave colina, cheia de unhas-de-gato e cipós trançados, toda fechada por uma mata espessa, escura, com marcas de não ter sido utilizada por muito tempo. Aquele lugar me lembrava tudo de ruim, desarmonia, feiúra, ameaça. Vovô, num gesto de compaixão, tocou minha cabeça, afagando meus cabelos, finalmente falou:

- Não se assuste, meu filho. Seu protetor estará sempre com você.

Quando eu ia fazer aquelas perguntas inúteis, como “você fala”, “sabe minha língua”, ele tocou meu lábio, num gesto carinhoso de “não perca seu tempo” e fez novamente um gesto para que eu seguisse por aquela trilha. Juntei toda a coragem que dispunha, apertei bem as mãos, engoli seco, mas entrei. Subia aquela trilha limbosa, sempre olhando para trás, via vovô no começo, me observando, sorrindo num ar de confiança. Resolvi imitá-lo: Se ele me pediu para subir é por que ele acredita em mim. Vou confiar. O caminho foi ficando cada vez mais íngreme, com muita pedras escorregadias, tendo que me abaixar para poder continuar subindo, apoiado nos cipós que desciam colina abaixo. Cheguei num local um pouco mais plano, menos escuro, onde eu pude descansar um pouco. Admirava as árvores, seus frutos, quando notei que uma cobra estava bem perto de mim, nos meus pés, arrastando-se pela mata, deslizando rapidamente. Subiu no meu pé e eu estaquei de medo, fechei os olhos esperando o bote, rezando para que não fosse picado. Um milhão de coisas passou pela minha cabeça, e não sentindo nada, resolvi dar uma olhada nos pés, e notei que nem mesmo a cobra estava lá. Ela só queria passagem. Suspirei aliviado, soltei os nervos e me sentei um pouco. Meti a cabeça entre as pernas, para refletir um pouco. O que era aquilo? Por que estou aqui? Que vovô espera de mim? Que encontrarei lá em cima? Seguia mais pensamentos na minha mente, quando pude ouvir a voz de vovô novamente:

- Não pense. Sinta.

Olhei para trás esperando ver vovô, mas ele não estava lá. Um enorme medo me bateu. Pensei em fugir, mas algo me impulsionava, dentro de mim, para seguir meu caminho, mesmo tendo este medo como meu maior obstáculo. Levantei e não pude deixar de chorar. Sentia-me como uma criança que não conseguia encontrar seus pais, presa num quarto escuro. Não, eu tenho que continuar, pensei. Enxuguei as lágrimas e dei um passo na direção da trilha, devagar, dei outro, com os olhos fechados, os abri, vi que não mais tinha medo, uma confiança interior me tomava, meus passos se aceleraram, logo eu andava normalmente na mata.

- Isso meu filho, isso.

Não via vovô, mas o sentia no meu coração.
Já andava a bastante tempo, não tinha noção de horas, mas sentia meus músculos reclamarem. Numa nova planície se apresentou, já bem alto naquela colina. Meus pés agradeceram, já não mais aguentavam subidas íngremes limbosas. Minha felicidade logo passou, percebi que existia mais de uma trilha, seis trilhas, uma em cada direção. Novamente a angústia me tomou, um medo terrível de me perder na mata veio. Me perguntava “ E agora”, “ Que farei”, então senti vovô no meu coração, sua voz me tocou:

- Observe. Você não está sozinho.

Comecei a buscar freneticamente por alguém naquele mata, mas só achei uma coruja. Decepcionado, disse em voz alta:

- Mas vovô, aqui só tem uma coruja...
- Só um coruja? - ouvi na mente – Então você esta bem guardado...

Olhei para aquele animal, que me observava fortemente de uma árvore alta, notei que ele me olhava curiosamente, como se pudesse falar comigo. Não era uma coruja comum, pelo menos não parecia. Cheguei perto dela, em baixo do galho onde ela estava. Fiquei olhando para ela, naqueles olhos grandes e curiosos, mas logo me voltei para meu problema. Onde está o caminho certo?

- Quem não sabe, pergunta.

Perguntar? Para um animal? Isso soava ridículo. Minha razão estranhou, dizia que eu estava ficando louco, mas meu coração dava sinais de alerta. Sentir, não pensar. Criei coragem e perguntei:

- Coruja, por favor, qual é o caminho que eu devo seguir?

O animal esticou-se um pouco, fez um movimento para trás e saltou, abrindo suas asas no ar, batendo-as e planando, até pousar no galho de uma árvore ao lado de uma trilha. Com a cabeça, mexeu o bico em direção àquele caminho. Este era o certo. Meu coração saltou de alegria, tudo o que me foi ensinado sobre os animais estava errado, meu coração estava certo. Corri até a direção da coruja e agradeci:

- Obrigado, nobre coruja.

Ela piscou os olhos, e soltou um longo piu, como se tivesse respondido minha pergunta.
Segui alegremente este novo caminho, notando que cada vez que subia mais, maior era minha alegria, a beleza da mata então, maravilhosa. Já não era tão íngreme esta subida, quase plaina na verdade, mas ainda um tanto escorregadia. Percebi que cada vez era menor o numero de árvores, a medida que eu chegava ao cume. Talvez lá em cima seja um gramado, com árvores baixas e mata rasteiras, pensei. Agora o caminho nivelou novamente, mas agora com uma clareira. Pude ver que era noite, as estrelas brilhavam sem parar, uma infinidade, até mesmo as constelações mais conhecidas eram facilmente identificadas. Distraído, não percebi que não estava sozinho. Dessa vez, não era um animal, mas um homem.

- Ora, que você faz aqui? - Disse o homem.
- Quem é?

Um rapaz bem vestido, com vários anéis e colares dourados se apresentou na minha frente. Ele estava na sombra de um árvore, não via seu rosto, mas ele usava terno, gravata, levava consigo uma pasta e um livro na sua mão, com um terço. Ele deu um passo a frente, e quando vi seu rosto dei um grito, era eu mesmo. “Como é possível?”, pensei.

- Vim te avisar sobre você.
- Sobre mim?
- Isso. Quero lhe trazer novamente para o caminho da verdade.
- Mas como você veio parar aqui?
- Um filho de Deus pode tudo. Estou com a palavra.

Quando disse isso, pegou o livro com as duas mãos e me mostrou, a Bíblia. Notei um ar de sarcasmo em suas palavras. Ele parecia um homem tomado, fanático, uma ameaça. Ele tirou da bíblia um terço, todo rendado e bem rico. Tinha uma cruz toda dourada, trabalhada com prata no ouro. Era brilhante.

- Venha comigo. Vou te mostrar a lei de Deus
- Não. Eu preciso chegar até o topo.
- Pra quê? - gritou – Para se encontrar com aquele filho do diabo?
- Não chame o vovô de diabo!
- Vejo que você também é um. Vou purificar sua alma. Pelo fogo!!!
- Nunca. Seu falso.

Ele pegou o terço e num gesto, o transformou num chicote. Me assustei e pensei em em fugir, mas meu coração dizia para eu ficar. Ele bateu com o chicote no ar, e fez um barulho terrível. Eu procurava algo para me defender, mas nem mesmo um galho no chão eu encontrava. Ela ria muito, com os olhos vermelhos e esbugalhados, com uma feição assassina. Ela não era um mensageiro de Deus, mas sim um ser disfarçado. Ele começou a avançar em minha direção, e eu pronto para fugir ouvi um barulho na mata, virei na direção e vi um Lobo-Guará sair de uma moita. Ele era de uma aparência meiga, com pêlo marrom-claro, no rosto creme e branco. Um lobo muito bonito. Este animal passou por mim e se prostou na minha frente. Sentou no chão entre mim e o homem louco. Ele, olhando para o lobo disse:

- Saia da minha frente, ser do demônio. Eu vim purificá-lo.

O lobo nem se mexeu. Aquele homem andou em sua direção e preparou um golpe. Rindo alto e babando, o homem desferiu um golpe, que foi rapidamente detido pelo lobo, que o atingiu uma mordida na perna, fazendo com que ele soltasse o chicote. Ele gritou de dor, mas o lobo não mordeu fundo, apenas o feriu na perna. Ele soltou também a bíblia, e assim que se viu livre do lobo, correu em direção da mata. Sumiu. O lobo se virou para mim, e me fez uma reverência. Eu, mesmo estranhado por este gesto, respondi da mesma forma. O animal pegou a bíblia com a boca e me entregou. Quando eu olhava para a bíblia, ele deu um latido agudo, e começou a andar na mata. Não sei bem o motivo, mas resolvi segui-lo. Andei mais um pouco, agora bastante íngreme, segui o lobo até onde eu pude, mas logo ele desapareceu. Quando notei isso, parei no meio da caminho e comecei a pensar. “Pra onde estou indo?”, “Que farei nesta mata fechada?”. Sentei na mata e fiquei em silêncio um pouco. Quando quase adormeci, quando ouvi o crepitar de uma fogueira. “Uma fogueira, aqui?” pensei. Comecei a sentir o cheiro do fogo, e seguindo o cheiro da fumaça, atravessei uma parede de musgo e unha-de-gato e pude verificar eu estava no cume. Era todo gramado, perto de um precipício, de onde eu podia ver toda a terra tomada pela mata. Era um lugar mágico. Bem no meio, havia uma fogueira, onde via duas formas sentadas em volta dela. Um, eu podia perceber que era o Lobo-Guará, que me ajudou a pouco, e outro uma forma humana, que fustigava o fogo com um galho. Me aproximei emocionado, pois logo confirmaria minha suspeitas desde o princípio, era o vovô.

- Venha se sentar conosco, meu filho.

Sua voz era confortante. Me adiantei para chegar logo na fogueira, e um lugar reservado para mim, ao lado de vovô, estava pronto, com um prato de barro com comida e um chifre, com bebida. Antes de me sentar, abracei vovô, já sentia sua falta, e ele me correspondeu carinhosamente. Limpou minhas lágrimas e disse num tom de voz que mais parecia um mantra:

- Não chore. Seu teste já acabou. Agora, vamos desfrutar de sua conquista.

Eu fiz o que ele me disse, sentei na frente do prato e comecei a comer. Era uma preparado de mandioca com milho, e um pouco de verduras. A bebida era vinho, o melhor que já tomei, com sabor de ervas. Assim que comi e bebi demoradamente, saboreando tudo, meu vovô me esperava com calma e alegria, cantando musicas de sua gente, num tom que parecia que o lobo acompanhava com uivos. Vovô acabou de cantar, fez uma reverência e virou para mim.

- Você foi testado. Não se conhece uma pessoa até que se testa ela.
- Eu fui aprovado?
- Sim. Se não tivesse passado, o Lobo não teria ido em seu auxílio.
- Quer dizer que eu teria sido castigado por aquele homem?
- Talvez...
- Vovô, para que o senhor me trouxe aqui?
- Estava na hora de você aprender sobre seu poder.
- Que poder?
- O poder da sua alma. Ou você acha que você é uma alma finita, separada de Deus como aquele homem louco acredita?
- Não, eu acredito que ela seja infinita.
- Que bom...
- Mas vovô, tenho perguntas...
- Você terá que encontrar as respostas sozinho...
- Como? O Senhor vai me abandonar?

Depois de eu ter perguntado isso, vovô se levantou, pegou algumas sacolas que ele tinha deixado no chão, chamou o lobo e disse:

- Nunca te abandonarei. Seu xamã, o lobo, sempre te protegerá, juntamente com seu Anjo da Guarda.
- Mas, como vou encontrar as respostas?
- Você será guiado para elas...
- Mas, por que devo procura-los?
- Concentre na sua pergunta e abra a bíblia.

Fiz isso, e quando abri, estava no evangelho de João 8:32 “conhecereis a verdade, e ela vos libertarás”. “Então este é o segredo”, pensei.

. . .

Este texto foi inspirado num sonho de Anjo, o qual ele sonhou com este xamã. Os detalhes deste sonho são parecidos com esta história. O objetivo dela, é estimular a busca pela verdade, quando nossos corações assim os deseja. Ouça sempre seu coração, ele é tua ligação direta com Deus.
Com Carinho Compartilho;
Anjo Guardião Branco.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

E mais uma vez, o Monge encontra seu caminho...



E mais uma vez, o Monge encontra seu caminho...


Nas nebulosas estradas da vida, temos a sensação de estarmos seguros, privados de toda forma de ataque e confusão. O monge sabe que isso é uma ilusão...


Até mesmo ele, tendo sua vida voltada aos estudos de sua filosofia, se encontra em determinados momentos envolto no caos planetário. Noticiários de Guerra, morte de crianças, facções criminosas que dominam os presídios, polícia corrupta, políticos ainda mais corruptos, etc.


Isso desperta a tristeza no monge, pois ele sabe que a história de um humano é a história da humanidade.


É nessa hora que ele exerce a Retidão.


Ele utiliza as palavras do Buda: “ No meio da guerra, é possível encontrar a paz, se você souber olhar para dentro”.


Então, mais uma vez, o Monge encontra seu caminho, olhando para dentro do seu coração, encontrando lá a Paz que o anima.


“Se queres mudar o mundo, mude primeiro o teu mundo.” Este é o lema do Monge.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Algumas Frases que tocam a Alma




“ O objetivo da guerra é a paz. ” (Sun Tzu)



“ Daí a César, o que é de César” (Jesus Cristo)



“ Os poderosos podem destruir uma, duas e até três rosas, mas não podem deter a primavera.” (Che Guevara)



“ Para cada Guerreiro, uma espada e um escudo, uma bandeira e uma pátria, um dever e uma honra.” (Anjo)



“ Ler é melhor que estudar.” (Ziraldo)



“ Vale mais morrer por um sonho, do quê deixa-lo morrer, sem tê-lo aproveitado.” (Dito Popular)



“Se andamos, é por que desafiamos a gravidade, se saltamos, é por que desafiamos os pássaros, se lutamos é por que confiamos em nós mesmos e se vencemos é por que fomos dignos do combate“ (Anjo)



“ Reconhecer a vida a cada respiração, a cada xícara de chá, a cada vida que tiramos. Este é o caminho do guerreiro” (Bushidô)



“ Amar é viver, viver é ensinar, ensinar é cultivar, cultivar é colher, colher é buscar, buscar é arriscar, arriscar é errar, errar é tentar, tentar é modificar, modificar é aprender, aprender é aperfeiçoar-se, aperfeiçoar-se é encontrar, encontrar é amar.” (Anjo)



“ É tão ridículo dizer que um homem precisa de varias mulheres, quanto dizer que um violinista precisa de vários violinos para fazer um concerto.” (Vinícius de Moraes)



“ Vale mais um pé ligeiro, do que um braço forte” (Ditado Élfico)



“Na casa dos Deuses, um humano que se chega é semi-deus” (Anjo)



“ Existência Humana, um Tom Divino numa essência compartilhada de Luz, transformada em Carne através do útero da Mãe Terra.” (Anjo)



“ Se você conhece a si mesmo e a seu inimigo, não devera temer o resultado de cem batalhas, se você conhece a si mesmo mas não ao seu inimigo, para cada vitória sofrera uma derrota, mas se você não conhece a si mesmo e nem ao seu inimigo perderá todas as batalhas. “ (Sun Tzu)



"Se um dia eu partir, que leve comigo a certeza de que deixei uma vida nova no meu lugar" (Anjo)


"Eis que nos momentos mais perenes, o Amor se revela como algo resoluto." (Anjo)



" Se sua cara cai, é para sentir a dureza do chão". (Anjo)